A “Teoria dos dois mundos” defendida por Platão.
Platão foi discípulo de Sócrates e
durante sua vida conheceu e se aprofundou nas teorias de dois grandes filósofos
pré-socráticos, Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eléia, os quais possuíam
ideias antagônicas. Analisando Heráclito, Platão considerou corretas as
percepções do mundo material e sensível, das imagens e opiniões. Chegou à
conclusão que Parmênides também estava certo ao exigir que a Filosofia se
afastasse desse mundo sensível, para ocupar-se do mundo verdadeiro, visível
apenas ao puro pensamento.
Com base nas ideias de Sócrates,
de quem Platão aproveita a noção de logos, ele cria a teoria
platônica e a distinção dos mundos sensíveis e inteligíveis.
Platão afirma haver dois mundos
diferentes e separados: o mundo sensível, dos fenômenos e acessível aos
sentidos; e o mundo das ideias gerais (inteligível), "das essências
imutáveis, que o homem atinge pela contemplação e pela depuração dos enganos
dos sentidos".
Para explicar melhor sua nova
teoria, Platão cria no livro VII da República o mito da Caverna, no qual
imagina uma caverna onde estão os homens acorrentados desde a infância, de tal
forma que não podem se voltar para a entrada e apenas enxergam uma parede ao
fundo. Ali são projetadas sombras das coisas que se passam às suas costas, onde
há uma fogueira.
Platão afirma que se um dos
homens conseguisse se libertar e contemplar a luz do dia, os verdadeiros
objetos, ao voltar à caverna e contar as descobertas aos companheiros seria
dado como louco.
No mito é possível associar os
homens presos à população e o homem liberto a um filósofo.
Os homens presos conhecem
apenas o mundo sensível, já o liberto conheceu a verdadeira essência das
coisas, conheceu o mundo das ideias.
A teoria apresentada por Platão,
embora tenha deixado algumas perguntas em aberto e algumas respostas ainda hoje
não totalmente compreendidas é, sem dúvida, um grande marco para a Filosofia.