sábado, 28 de abril de 2012

AVA04 - Teoria da “Maiêutica” defendida por Sócrates

A Maiêutica é a técnica através da qual se consegue observar como é que uma ciência desconhecida se transforma progressivamente numa ciência conhecida. No entanto, no diálogo Protágoras, a Maiêutica não aparece.
Segundo Platão, Sócrates fora buscar a sua arte da Maiêutica a sua mãe que era parteira.
Na Grécia clássica só as mulheres que já não podem dar à luz estão autorizadas a ajudar ao parto das outras.
Sócrates considerava a sua arte como a arte de parturejar, só que agora são homens que dão à luz e é do parto das suas almas que se trata.  Sócrates revelava aos outros aquilos que eles próprios sabiam, sem se dar conta te ter consciência. Ele pretendia que o seu questionamento sistemático levasse os outros a um ponto crucial de consciência crítica, procurando a verdade no seu interior, dando assim lugar ao "parto intelectual".
A Maiêutica é, assim, a fase positiva, construtiva, do método socrático que permite o acordo através das certezas universais obtidas pela definição após a discussão. Trata-se de um diálogo do primeiro período que se caracteriza pela ausência da teoria da reminiscência que serve de fundamento à Maiêutica.
A Maiêutica socrática funcionava a partir de dois momentos essenciais: um primeiro em que Sócrates levava os seus interlocutores a pôr em causa as suas próprias concepções e teorias acerca de algum assunto, e um segundo momento em que conduzia os interlocutores a uma nova perspectiva acerca do tema em abordagem. 
Daí que a Maiêutica consistisse num autêntico parto de ideias, pois, mediante o questionamento dos seus interlocutores, Sócrates levava-os a colocar em causa os seus "preconceitos" acerca de determinado assunto, conduzindo-os a novas ideias acerca do tema em discussão.
Sócrates inaugura o método quando institui a Maiêutica, ou seja, a arte de perguntar.
Platão aperfeiçoa a Maiêutica de Sócrates e a transforma no que ele chama dialética.

Um comentário:

Arte em Jornal disse...

Nas conversas, Sócrates privilegia as questões morais, por isso em muitos diálogos pergunta o que é a coragem, a covardia, a piedade, a amizade e assim por diante. Tomemos o exemplo da justiça: após serem enumeradas as diversas expressões de justiça, Sócrates quer saber o que é a “justiça em si”, o universal que a representa. Desse modo, a filosofia nascente precisa inventar palavras novas ou usar as do cotidiano, dando-lhes sentido diferente. Sócrates utiliza o termo logos (na linguagem comum, “palavra”, “conversa”), que passa a significar a razão de algo, ou seja, aquilo que faz com que a justiça seja justiça.